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6 etapas para aplicar uma bela gestão em construção de estradas

  • 6 etapas para aplicar uma bela gestão em construção de estradas

6 etapas para aplicar uma bela gestão em construção de estradas

13 julho, 2017
Por : Instituto IDD
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A gestão da construção de estradas é um trabalho que inicia bem antes das ações nos canteiros de obras. E você confere tudo o que ela agrega ao projeto, no IDD News de hoje.


Antes de se iniciarem as obras de um projeto rodoviário, um Gestor de Projetos precisa realizar algumas “viagens” desafiadoras para que uma rodovia seja entregue aos usuários. Em conversa com a redação do AECweb, o engenheiro Pedro Silva, diretor de engenharia da Dersa - Desenvolvimento Rodoviário -, sociedade de economia mista controlada pelo governo do Estado de São Paulo, falou um pouco mais sobre o trabalho, e nós trazemos mais desse diálogo, aqui para você.




1. Necessidade e aprovação

Para nascer, um empreendimento deste porte depende da demanda e necessidade de unir cidades e transportar riquezas pelo país. Confirmada essa necessidade, se parte para um projeto básico para definir o traçado. Em geral, são elaboradas entre quatro e cinco alternativas, para que seja escolhido o traçado mais viável do ponto de vista social e ambiental. “A obra do Rodoanel Norte - Região Metropolitana de São Paulo -, por exemplo, teve 15 alternativas. Cada trecho tem que apresentar várias possibilidades para que seja aprovada aquela que represente o menor impacto ao meio ambiente”, explica Pedro Silva.

Em seguida, é preciso preparar um pedido de licenciamento ambiental do empreendimento por meio do EIA-RIMA – Estudo de Impacto Ambiental – e encaminhar o projeto básico para o Consema – Conselho Estadual do Meio Ambiente. Se aprovado, o projeto ganha uma Licença Prévia para ser construído.


2. Falando do que interessa: Custos

Com a aprovação do EIA-RIMA e do projeto básico é possível estimar o custo do empreendimento e iniciar a fase do projeto executivo, para que seja possível licitar a obra. “Fazemos uma qualificação prévia das construtoras quando a estimativa de custos ultrapassa R$ 150 milhões. Neste caso, avaliamos a capacidade operacional e financeira das empresas para poder fazer a licitação, tentando manter a melhor aplicação dos recursos públicos”, informa Pedro. Na fase de pré-qualificação é elaborado um cronograma de planejamento da obra, denominada Proposta de Metodologia de Construção.

Ao avaliar as propostas de preços, junto com a definição da construtora, contrata-se também as empresas que farão o gerenciamento do empreendimento. “Contratamos a empresa que fará o gerenciamento ambiental, a que vai cuidar da gestão de financiamento e também das desapropriações, e ainda a que fará o gerenciamento social, para cadastrar as famílias que serão atingidas pelas obras, tanto para serem reassentadas como indenizadas”, explica.

 



3. Orientação técnica

Nesta fase, é contratada também a supervisão técnica para cada lote da obra. Segundo Pedro, “O Rodoanel teve seus 47 quilômetros divididos em seis lotes – cada um deles com uma supervisão técnica”. 

O supervisor técnico atua no canteiro de obras com o acompanhamento da implantação e qualidade da execução dos trabalhos e dos materiais. O supervisor ambiental também trabalha no canteiro de obras monitorando se as etapas construtivas respeitam os detalhes ambientais previstos no licenciamento. Estas supervisões dão subsídios para que as equipes de gerenciamento tenham um quadro geral dos trabalhos que estão sendo realizados. O gestor de projetos tem um gerente em cada nível, fazendo a gestão de sua área. “São níveis de gestão pesada e falta gente com experiência e conhecimento para atuar como gestor. O gerente de cada área precisa ter noções de gestão de projeto e capacidade de avaliar o empreendimento inteiro para não criar conflitos entre as diversas gerências”, explica Silva.


4. Planejamento

Quem determina o ritmo da obra é o engenheiro de planejamento, que faz o gerenciamento de processos, tomando decisões quanto à dosagem entre as desapropriações, licença ambiental e reassentamentos. “Procuramos realizar a obra nos pontos com menor impacto. Às vezes surgem problemas com desapropriações, cuja solução independe da Dersa ou da construtora contratada e a questão pode ir para decisão judicial”, diz Pedro.

Durante a construção de uma estrada, a questão do tempo é definida na licitação e o trabalho é realizado em etapas. "Por exemplo, se em um quilômetro tenho liberdade para atuar nos primeiros 100 metros e nos 300 finais, mas tenho problemas no restante, não posso cumprir essa etapa. Ou fazemos o quilômetro inteiro ou a obra para. Diante disso, para ganhar tempo, atacamos áreas com menor impacto social e ambiental, de maneira que possamos construir o quilômetro inteiro de uma vez”, explica.
 

A área de construção de estradas é umas das mais promissoras do país e para quem está preparado para gerenciar obras como essas, as oportunidades são grandes. Por isso é que o IDD tem mais uma turma da pós-graduação em Pavimentação Rodoviária, saindo, dessa vez em Belo Horizonte. A turma já está com últimas vagas e a sua oportunidade está aqui! Vem saber mais!


 




5. Número e comunicação

Tanto a Dersa - quem faz a contratação da obra - quanto as construtoras, necessitam de um grande número de gestores. Em uma estimativa superficial, em cada lote de construção de uma estrada atuam de 100 a 200 engenheiros. “Se um deles não tiver a visão do todo, pode tomar uma decisão isolada e provocar um conflito que paralisa a obra inteira. Uma pequena falha de comunicação, como notificação ambiental que não tenha sido corretamente informada a todos os gestores, por exemplo, pode trazer problemas posteriores difíceis de resolver”, coloca Pedro.


6. Integração

A gestão das áreas envolvidas na construção de estradas precisa, necessariamente, ser integrada. “A dificuldade maior é criar a sinergia entre os grupos. O engenheiro da produção quer concluir seu trabalho. O gestor ambiental, por sua vez, segura a obra, preocupado em não espantar os passarinhos. Quem administra esses conflitos é o gestor geral. No caso da Dersa, essa gestão é feita pelo diretor de engenharia, que é o gestor de projetos de toda obra”, explica Silva.

Além dos gerentes por área de trabalho, existe ainda o engenheiro fiscal que também atua no campo. O gestor de projetos conta com os serviços de seis fiscais, que avaliam se os contratos, prazos e qualidade estão sendo seguidos conforme o projeto. Para fazer o fechamento da obra, o gestor de projetos faz o controle de recebimento da estrada. “Temos de checar todas as compensações ambientais, as demandas sociais e verificar se tudo foi atendido antes de pedir o licenciamento de operação da estrada. A compensação ambiental é feita com a construção de parques, que dependem de desapropriações em caso de áreas privadas”, afirma.

De acordo com Pedro, no trecho Sul do Rodoanel, os cinco parques construídos foram entregues para o controle das administrações municipais onde estão instalados. Segundo ele, uma nova estrada só é entregue aos usuários quando a Cetesb, que dá a licença para construção, aprovar o que foi realizado e autorizar que a estrada entre em operação.

 

Pedro Silva é engenheiro civil formado pela Universidade São Francisco, de Itatiba. Atualmente é diretor de Engenharia da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A, onde atua desde 2010, como Diretor de Engenharia.

 

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Fonte: aecweb Redação AECweb / e-Construmarket

Imagens: sinfra

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