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Segurança de barragens para iniciantes

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Segurança de barragens para iniciantes

28 agosto, 2017
Por : Instituto IDD
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Conheça os pontos essenciais para a construção de projetos de barragens seguras e saiba como ser o profissional responsável por elas.


Segundo estudo feito pela e-Construmarket, aproximadamente 34 projetos de barragens são desenvolvidos atualmente no Brasil. Durante planejamento e construção, o principal ponto considerado é a segurança dessas estruturas. E você conhece mais sobre as variáveis do contexto de construção, a seguir. O conteúdo é do site AEC Web com colaboração do geólogo Edilson Pissato.
 


TIPOS DE BARRAGENS

Primeiramente, barragens podem ser classificadas de diferentes maneiras, entre eles, segundo o seu material de execução. 

Geralmente, as barragens usadas no sistema de abastecimento de água e as construídas em hidrelétricas são maiores e feitas de concreto. Já as de mineradoras são executadas a partir de terra compactada, originária do próprio processo de exploração mineral. “Mesmo nesse segundo caso, as estruturas precisam de estudos e critérios técnicos rigorosos para garantir o mínimo de segurança”, explica o geólogo Edilson Pissato, professor no departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo.
 


SEGURANÇA DE BARRAGENS 

É possível ainda agrupar as barragens analisando sua segurança. “Nesse caso, existem dois grupos: as de rejeitos de mineração e as convencionais”, diz o docente. No Brasil, é extremamente raro acontecerem acidentes com barragens de hidrelétricas ou naquelas construídas para regularização de cursos de rios. “Até porque seria uma enorme catástrofe se algo errado ocorresse com uma das estruturas localizadas em Itaipu”, exemplifica.

O tipo nomeado de convencional é elaborado com base em projetos adequados e executados seguindo todas as recomendações técnicas. “As estruturas contam também com monitoramento constante. Afinal, há sempre imprevistos na natureza que podem ocorrer tanto durante a construção quanto depois de concluída”, afirma Pissato. A análise frequente é responsável por apontar necessidades de adaptações ou manutenções.

“A engenharia nacional é mais do que qualificada para construir barragens convencionais. Inclusive, nossas estruturas são mais seguras do que muitas daquelas existentes em países desenvolvidos”, destaca o geólogo. No entanto, o cenário é totalmente oposto quando são abordadas as barragens de rejeitos de mineração. “Grande parte do meio técnico concorda que esse tipo de estrutura tem problemas e não é segura. São construídas sem os cuidados das convencionais”, complementa.

Na mineração, a atividade principal é a exploração, e a barragem serve somente para conter os detritos. Por isso, a estrutura normalmente é encarada pela mineradora como um custo. “Visando maximizar seu lucro, a empresa acaba reduzindo o investimento destinado para a barragem”, explica.

Além disso, a estrutura é executada aos poucos e financeiramente não compensa construir uma grande estrutura que demorará 30 anos para ser totalmente preenchida. Assim, o minerador acaba fazendo um primeiro dique de cinco metros e, quando este estiver cheio, começa a construção de outro e, assim, sucessivamente. “A obra vai acontecendo aos poucos, o que dificulta a instalação de sistemas adequados de drenagem”, comenta o professor.

O próprio método construtivo utilizado em barragens de rejeitos de minérios colabora para torná-las inseguras. A estimativa é que 90% dessas estruturas tenham sido executadas sobre o próprio material de rejeitos. Esse era o caso da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que rompeu em novembro de 2015 provocando o maior desastre ambiental da história do Brasil. “A alternativa é escolhida por proporcionar menor custo”, indica o docente.
 


MUDANÇAS EM SEGURANÇA DE BARRAGENS

Mesmo após a tragédia de Mariana, efetivamente não houve grandes mudanças na execução das barragens de rejeitos de minérios. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) – órgão federal responsável por cuidar da mineração – passou a exigir relatórios detalhados sobre as condições das estruturas em todo o país. “Porém, essa ação não é muito efetiva, somente obrigando o minerador a apresentar a documentação técnica e a lidar com alguma burocracia”, analisa Pissato.

Prova é que a estrutura de Mariana estava em conformidade com o manual de vistorias. O relatório pede somente uma inspeção externa da barragem. Mas, em Minas Gerais, foram as pressões internas que se elevaram e causaram o rompimento.

As revisões das técnicas construtivas, que deviam ser consideradas as iniciativas mais importantes, acabaram ficando de lado. “O assunto chegou a ser debatido com o impacto inicial causado pela tragédia. No entanto, a discussão esfriou e caiu no esquecimento. Com isso, as coisas permanecem da mesma maneira que estavam antes do ocorrido”, diz o geólogo.


INSTRUMENTAÇÃO DE BARRAGENS

Um dos principais cuidados para evitar a reedição da tragédia de Mariana é o monitoramento constante e adequado. Essa verificação deve ser realizada com base em instrumentos específicos, que têm a função de aferir as reais condições das barragens. “O procedimento já ocorre nas estruturas convencionais, mas, nas de rejeitos de minérios, as vistorias ficam restritas a análises visuais”, fala o especialista.


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MAIS SEGURANÇA EM BARRAGENS

A construção de uma barragem considerada segura começa com a elaboração de um estudo do meio físico. Nesse levantamento são classificados os tipos de solo e subsolo, estruturas geológicas, condições de água, entre outros elementos. “Também é preciso realizar investigação geotécnica, atividade fundamental para qualquer obra e, em especial, para as barragens. Afinal, são grandes obras que impõem tensões elevadas no solo”, diz o docente.

Independentemente da tipologia, a execução deve ser feita de acordo com as diretrizes das normas técnicas e sempre empregando os materiais adequados. “A construção precisa seguir à risca o projeto e tudo deve ser feito levando em consideração as condições do entorno”, recomenda o professor.


NORMAS TÉCNICAS PARA BARRAGENS

Não existem normas técnicas específicas para essas construções. O que há é uma vasta coletânea de diretrizes para cada etapa do projeto e execução. “Mais de 50 normas precisam ser seguidas, como as que norteiam o processo de sondagem e de realização do aterro”, acrescenta Pissato. Estão disponíveis, também, publicações e livros sobre os procedimentos adequados.
 

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Colaborou com esta matéria:
Edilson Pissato – Graduado em Geologia pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). Tem os títulos de mestre e doutor pela Escola Politécnica da USP. É professor no Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do Instituto de Geociências da USP. Exerce atividades de pesquisa e ensino direcionadas à área de geologia de engenharia, com ênfase em cartografia geotécnica, estabilidade de taludes em solo e rocha e caracterização de maciços. Responsável pelas disciplinas: Geologia de Engenharia, Metodologias de Mapeamento Geotécnico, Geologia e Urbanização e Cartografia Geotécnica.

 

Fonte: Redação AECweb / e-Construmarket - aecweb
Imagens: pinterest | youtube | borneoproject | nhpr.org | oregonencyclopedia
 

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